Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Sobre como eu sou odiado

É doce ser odiado
É belo ser odiado

Ó
D
I
O

Bem assim
Sentem por mim
Ou eu sou maluco!?
Ou eu sou um contorcionista?

Nunca mais aceito bala
Cigarro ou abraço
Corro demasiado risco de vida
Ainda me matam

MATAM
De trás pra frente
Ao avesso ou ao contrario
MATAM

Eu sou um contorcionista
Que horror minha falsidade...

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

um estudo de Rozé

Rozé é, um observador
incorrigível.
Um tropista antropofágico
que conhece a estética da fome

Rozé tem, o sorriso equívoco
de um cadáver cataléptico
Sensual serenidade jovem
em uma postura de deus fálico

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

19 de julho 2005

Hoje foi um dia perdido
Mais um dia de cama
De cortinas fechadas
Corpo abstraído
Num jardim sem pétalas.

Minha alma hoje
Eu senti pequena
Estou fraco
Amortecido
Eu sei o que fiz comigo mesmo.


2008
hoje eu dou um chute na bunda da tristeza
e um beijo na boca dessa vida, tão garrida.

para aline

Domingo, 4 de Maio de 2008

Cristianismo da confirmação



Igrejas de domingo
bandas eletrificadas cantando em coro hosana nas alturas
fália tentativa negro spirituals, uma grande diversão antes do almoço.
Cristãos até certo ponto, minha parte esta feita. Desestressante
Pão e circo nacional.

Um padre social, moleques pestinhas, coroinhas.
Topetinhos asquerosos, bochechas rozadinhas, me purifacaram por um ano
pra comer a carne e beber do sangue de messias, um DÍZIMO periódico,
todos em busca de uma verdade. Com letras maiúsculas.

Não existe casa do senhor senão a minha moradia
Não existe corpo do senhor senão a minha vontade
Deus toca orgão vinte e quatro horas por dia
E cada um conduz o seu soul
labirinto
consciência
ter ciência
sapiens sapiens
saber o que sabe
falar
criar
afirmar
propor
inovar
a dialetica do eu e do mundo
escutar absorver
reformular
rever e renovar
e ao mundo
e
mundo ao eu
ideologia
intuição
mítica
religião
filosofía
política
pensamento racional
coincidência ou sincronismo metafísico universal???

A COBRA E A LUA

a cobra troca de pele
a lua pelo basculante
a cobra troca de epiderme
a lua cheia elegante
a cobra vira um verme
a lua agora minguante
a lua cobra caro
a cobra lua claro

Domingo, 13 de Abril de 2008

Na minha infância, no fim da minha rua de piche sob um céu cor de chumbo, havia um grande jardim inalcançável, e os prazeres, que nele poderia ter, povoaram todos meus delírios sonhados a sombra de um pé de romã, estranhamente, um imenso alagado fazia todo aquele aspecto élfico e fantástico, algo bem distante de minha triste pingo gota realidade. A única forma de chegar a tal lugar, era traçar caminho, saltitando feito sapo pelas vitórias-régias que salpicavam o lago, impossível deduzir as agruras, tal qual um monstro medieval ou aquele temor infantil sem forma, estranha presença andando no escuro. Se você já fitou o olhar de um cego, saberá quão cândido era meu brilho pelo paraíso, o jardim era o paraíso, sonhar era ir até essa pintura, e nela, tornei-me romântico condenado a sonhar, o sonha que inebria e não deixa acordar. Eu pingo de gota, banho de chuva, bolinho de chuva beijos ao ar, pra você Aline, que comigo sabe sonhar.

***

A planície negra, que foi meu pesadelo constante, não conhecia forma material nem sentimentos lúdicos, esses que os homens de nosso mundo, brincam de desejar, uns aos outros como num jogo de peteca. A ausência de tudo existente na superfície negra, era a resposta direta ao excesso de não vontades e não quereres, enfim, nesse lugar poucas coisas existiam, pois tudo se resumia a contornos fluorescentes e difusos, mas pra mim, elas se reduziam a dois furores: medo e fuga; medo das cores e fuga dos que as habitavam.
Era uma porção de gente maluca, todos muito altos, oportunistas, sempre atrás de uma salvação, uma adrenalina, uma desculpa qualquer para findar o tédio de habitar um pesadelo repetido, eu corria, e perdia o fôlego durante o sono. Dividia uma cama de casal com uma senhora, e por longos anos, senti no bojo todos os cheiros que os velhos exalam, todo cheiro de abandono em que seus pertences se calam, e sempre, além da escuridão, havia o som filho da puta de respiração chiada. Por essa época, no de-lírio de meu pesadelo subterrâneo, costuma pensar que poderia morrer devido à transpiração, todas minhas células convertendo-se em suor, e a transpiração estava diretamente ligada à fuga, se de repente fosse eu um protozoário! os fluordifusos me pegariam e fariam de mim parte de meu próprio pesadelo, e em meu próprio engano seria uma briófita, grudada em cada planície negra com falta de quereres e vontades.

***

Eu sou um fantasma, entro em casa, e num volume altíssimo está tocando “take this love i’ve got”, com a potente voz de wilson pickett me arrepio, dou um sorriso, e na cozinha, no canto alemão,dois homens conversam em cochichos, não os reconheço e também não faço questão, são do tipo fortes de queixo proeminente e punho astuto, mantenho distancia; no quarto, meus pais agonizam em sangue, soltando pequenos gemidos entrelaçados a uma respiração muito ofegante, mas pareciam bem, não me viram, ninguém podia me ver, na sala minha irmã está descalça, ela assiste televisão e tem a testa completamente distorcida pela indagação, mas está tranqüila, logo penso “meus pais devem estar numa boa”, no banheiro, entre citoplasmas azuis, o assassino da semana que saiu no jornal, me espera atrás da porta, ele tem uma peixeira, a mesma que usou em meus pais e em sua própria família, mas ele não me vê, ninguém pode me ver. Dou o fora de lá, estou muito, muito entediado, da rua de piche o céu parece refletir o censo comum, nublado e carregado ele quer me engolir, mas também não pode me ver, imagine só, nem deus está me enxergado, o soul realmente me elevou. Acendo um cigarro e percebo que a música continua tocando, me arrepio novamente e sinto uma enorme vontade de tocar fogo, tocar foda-se. Acolho as mãos no bolso, eu estou sozinho e o tempo começa a esfriar, e eu vou simplesmente andar por ai, dar uma boa observada, sentir um pouco o cheiro, passar por tantas ruas que você nem imagina, não vou me preocupar com o sangue rolando, nem com as pessoas más, muito menos com o trabalho a ser feito e com as contas que devo pagar, roupas que devo vestir ou o cabelo que devo cortar, eu estou sozinho e não tenho com o que me preocupar. Take this love i’ve got....take this love i’ve got...take this love i’ve got .
para Aline Luize

Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Quem ama o sol?
Já não ligo se ele está brilhando
Já não me importa o que ele faz
Desde que você partiu meu coração

Que importa a morte, o areal e a desventura?
Se com deus me guardei
e é nele
que regressarei

sou adolescente, original no plágio.

Segunda-feira, 17 de Março de 2008

se liga se esperte caia fora

vocês são ridículos.
vocês não estão entendendo nada!
pegarei a única e vou pro meio do mato!

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Haicais para uma segunda feira 25/02


Eu não consigo botar em palavras o que sinto com relação a você
*
Em cada esquina uma paixão, em cada coração um punhal
*
Tenho atuado brilhantemente nesse teatro que é viver entre filisteus, capitalismo x comunismo, balela para estudante maconheiro de classe média, bater na mesma tecla, insistir no mesmo erro, trocar merda mole por merda dura
*
Eu ainda vou brilhar e ofuscar toda a sujeira
*
Nem Shakespeare nem Roberto Carlos, eu sou o cara mais romântico do mundo, nasci em agosto e sou cachorro louco
*
Gostaria muito que olhassem mais pra mim...minto, gostaria muito que VOCÊ olhasse mais pra mim.
*
Muita gente comigo endoidecia
Cantava o seu sofrer
Mas, ninguém reparou, ânsia incontida
Que eu tinha em meio ao carnaval da vida
Vontade de morrer
*
Minhas drogas são menos perigosas que uma televisão a cores
*
Em meus instantes de anjo, deus toca órgão vinte e quatro horas por dia, e enfim posso amar quem quiser.
Ando me importando de mais com a pétala, enquanto todos nem lembram que ela existe.
*
Minha nação foi criada sobre sangue, suor e pranto da mais negra e parda família das dez tribos de Israel
Minha nação importa a mais baixa cultura de resposta ao desespero e ao fim do mundo que inicia no séc. XI
Minha nação tem o humor mais negro que eu já vi.
*
Continuo sem saber botar em palavras a paixão que estou
sentindo por você